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portiago

Você NÃO sabe o que é um BIM Mandate!

Muitos termos utilizados no nosso meio profissional são diretamente importados (sem tradução). A prática tem suas vantagens. Facilita o entendimento global de conceitos, o intercâmbio de ideias e até a automação de processos (já imaginou comandos de linguagens de programação sendo traduzidos?).

Apesar disso, em algum momento da história do BIM no Brasil, alguém parece ter trocado as bolas na hora de adotar o termo “BIM Mandate”.

Se você fizer uma pesquisa sobre o termo, vai encontrar vários artigos em português definindo-o como um manual de práticas para a implementação do BIM. Alguns simplesmente o definem como um sinônimo para o BEP (Plano de Execução BIM).

Mas basta rolar um pouco mais a barra de pesquisa e você encontrará textos em inglês que falam sobre BIM Mandate como um conjunto de regras definidas por um determinado governo para a implantação do BIM naquele território.

Separei alguns links de artigos onde o termo é utilizado.

O primeiro é do site BIM Academy da Universidade de Northumbria (UK) e faz referência ao que seria o primeiro BIM Mandate do Reino Unido de 2011:

Estes dois são da BuildingSmart (o primeiro é de 2014!):

https://www.buildingsmart.org/wp-content/uploads/2017/11/October-2014-Richard-Petrie-Toronto-Plenary-Standards-Overview.pdf

https://buildingsmart.org/wp-content/uploads/2019/03/Status-of-BIM-Adoption-in-the-US-James-Vandezande.pdf

E essa aula da Autodesk University de 2016 que fala sobre o assunto:

https://www.autodesk.com/autodesk-university/class/What-UK-BIM-Mandate-and-How-Might-It-Affect-You-Wherever-You-Are-2016

Ora, se a vantagem ao usar um termo estrangeiro é justamente ajudar na globalização do conhecimento, não vejo motivos para mantê-lo como está, por mais difundido que esteja. Concorda?

Vamos ajudar a corrigir isso? Repasse a informação! 😉

#MandateUpdate 🙂

portiago

Olá, mundo!

Boas-vindas ao WordPress. Esse é o seu primeiro post. Edite-o ou exclua-o, e então comece a escrever!

portiago

O que é CDE?

Sabe quando você usa o Dropbox ou o Google Drive para compartilhar arquivos com seus colegas de trabalho? Pronto. Vocês estão usando um CDE (Common Data Enviroment, um Ambiente Comum de Dados).

Quem usa um CDE já percebeu sua vantagem sobre outras formas de compartilhar arquivos. Se você já trabalha há algum tempo, já deve ter compartilhado um e-mail com arquivos com nomes mais ou menos assim: “PB_01-14_RES_Final, “PB_01-14_RES_Final_Oficial” ou “PB_01-14_RES_Final_Agora_vai”.

Triste!

A colaboração exigida pelo BIM tornou essas antigas formas de compartilhamento [ainda mais] inviáveis. Quando uma equipe trabalha com um modelo federado, no qual todas as disciplinas trabalham ao mesmo tempo, um CDE garante que esse modelo esteja num “lugar central” (seja em nuvem ou numa rede interna) e que cada parte envolvida fará sua contribuição sem a necessidade de ficar mandando arquivo de lá pra cá.

Com a experiência do seu uso, a forma de organizar arquivos num CDE evoluiu, tanto na segmentação quanto no controle de acesso. Inclusive há CDEs específicos para projetos BIM. Oferecendo integração entre os ambientes de gerenciamento de arquivos e de visualização de modelos.

Quanto a organização e controle de acesso, a ISO 19650 orienta a forma de estruturar o CDE.

Para entendermos como funciona essa organização, vamos pegar um exemplo.

Uma equipe de projetos de instalações hidráulicas está participando do desenvolvimento de um projeto juntamente com outras equipes, todos trabalhando num modelo federado.

O CDE estará dividido nas seguintes pastas:

TRABALHO EM ANDAMENTO
A equipe tem acesso ao modelo federado e começa a desenvolver seu projeto hidráulico. Apenas ela tem permissão para acessar o projeto que está sendo desenvolvido.

Uma vez que o projeto hidráulico é finalizado e revisado internamente, este é copiado para outra pasta:

COMPARTILHADO
Aqui, as demais equipes e o contratante têm acesso ao projeto hidráulico. É nesse momento que o coordenador de projetos irá fazer verificação de conflitos e solicitar eventuais modificações.

Caso revisões sejam necessárias, a equipe voltará a trabalhar na pasta TRABALHO EM ANDAMENTO. Caso o projeto esteja ok, ele seguirá para a pasta:

PUBLICADO
Aqui o projeto segue para detalhamento e poderá ser acessado por equipes responsáveis pela execução, orçamento, gestão de ativos, por stakeholders, entre outros.

E assim funciona para cada disciplina envolvida no projeto. Quando bem utilizado, o CDE ajuda a diminuir drasticamente falhas de comunicação, retrabalhos e necessidade de compatibilizações.

Para se aprofundar no conteúdo da ISO 19650, que trata não só do CDE, mas do fluxo de informações BIM como um todo, recomendo o livro BIM e Inovação em Gestão de Projetos, do Prof. Leonardo Manzione. Traz o assunto numa didática excelente. É um livro pra levar pra vida profissional, pra consultar sempre que necessário.

portiago

DBB x DB (Métodos para contratos)

Existem duas formas contratuais dominantes na indústria da construção nos Estados Unidos, descritas no 1º capítulo do Manual de BIM, escrito por Chuck Eastman (considerado por muitos o Pai do BIM), e outros incríveis profissionais. Quais as diferenças entre os dois métodos? Qual delas é mais receptiva ao uso do BIM? Como relacionamos isso com a realidade brasileira?

Design-Bid-Build – DBB (Projeto-Concorrência-Construção)

Em 2002, cerca 90% dos edifícios públicos e 40% dos edifícios privados nos EUA eram erguidos usando a abordagem DBB. Esse método permite licitações mais competitivas, atingindo o menor preço possível para o proprietário e uma menor pressão para escolha do empreiteiro.

O modelo DBB segue o seguinte fluxo:

Proprietário escolhe arquiteto >> Arquiteto desenvolve projeto >> Arquiteto e/ou proprietário seleciona(m) construtora (menor preço) >> Construtora seleciona subempreiteiros (menor preço) >> Construtora e subempreiteiros constroem o edifício.

Como o construtor precisará de um projeto para fazer o orçamento, esse projeto precisa ter um nível relativamente elevado de desenvolvimento logo no início do processo. Porém muitos arquitetos evitam um aprofundamento no detalhamento do projeto, seja pela falta de dados do canteiro, seja pelo cronograma apertado. Dessa forma eles procuram se eximir da responsabilidade por eventuais divergências ou omissões na etapa de construção.

Além disso, não é raro que construtoras proponham um orçamento abaixo do estimado, só para ganhar o serviço, abusando de modificações e aditivos no decorrer da obra. Com frequência essas divergências levam a atrasos, retrabalhos e disputas entre os envolvidos.

Design-Build – DB (Projeto-Construção)

No método DB há uma mudança na ordem dos contratos e tomadas de decisões. Surgiu como forma de distribuir de maneira justa a responsabilidade pelo projeto e pela construção, com uma única entidade sendo contratada pelo proprietário.

Fluxo do modelo DB:

Proprietário escolhe uma empresa de projeto e construção >> Empresa desenvolve projeto, quantitativos e cronograma físico-financeiro >> Proprietário aprova o que foi desenvolvido >> Empresa seleciona subempreiteiros de acordo com requisitos do projeto ou pelo menor preço >> Empresa e empreiteiros constroem o edifício.

Além de simplificar a vida do proprietário, aqui temos uma obra mais fluida, diminuindo tempo, retrabalhos, estouros de orçamento e disputas de responsabilidade. Por outro lado, há uma menor flexibilidade para o proprietário demandar modificações no projeto inicial, uma vez que o valor do montante do contrato já fora aprovado juntamente com o projeto.

Melhor modelo para aplicação do BIM

Para quem entende que a essência do BIM é colaboração, fica claro que o modelo DB é mais benéfico. A capacidade de comunicação e colaboração entre os setores envolvidos é um dos maiores desafios da construção civil. Essa capacidade é algo muito mais palpável dentro dos limites de uma empresa, cujos envolvidos têm um potencial muito maior de convergência.

A realidade brasileira

Com exceção das grandes incorporadoras, o modelo de contratos mais difundido na construção civil no Brasil é semelhante ao DBB. Mas é possível que uma mudança sensível aconteça nos próximos anos. Um empurrão parece vir com o Decreto Federal nº 10.306, de 2 de abril de 2020, que estabelece um plano para exigência gradual do BIM na execução de obras públicas. Provavelmente veremos muitas parcerias (quiçá fusões) entre escritórios de arquitetura e construtoras de pequeno/médio porte. Esse contato mais próximo tem um incrível potencial para um aumento da eficiência da indústria, que será possível, claro, com a adoção da metodologia BIM.

Você já tem seu exemplar do Manual de BIM, do lendário Chuck Eastman?

Segue o link do livro na Amazon: